quarta-feira, 27 de junho de 2012

Releitura


Era uma história cheia de interrogações, exclamações, reticências e grandes pausas entre intensos parágrafos. Era uma história que tinha um clima de madrugada, gosto de vinho, sons de boa música e um perfume que ainda não sabia definir, mas que o era bastante reconhecível.  Um texto que se desenrolava ao passar das horas, que mais pareciam minutos. Cada frase não conseguia sair, em sua mente, do mesmo cenário: uma noite chuvosa em um lugar que via toda a cidade. Sonhava com novos cenários. O final prometia – na verdade, o seu leitor começava a querer que o final não existisse. Começava a querer que aquelas letras o acompanhassem nos seus afazeres diários, queria que todas as alocuções passassem de alocuções; ganhassem vida. Queria que aqueles personagens, que até então de uma crônica fugaz, tornassem autores de um belo romance. Queria. Chegou ao fim da página e, logo então, percebeu na próxima um novo título. Percebeu que o leitor nada pode além de ler. Percebeu que são os personagens que escolhem o desenrolar da trama. E escolheram ser apenas crônica.

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