quarta-feira, 11 de maio de 2011

Alienação trabalhista conforme Karl Marx

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o significado do termo ‘alienação’ corresponde ao ato ou efeito de alienar; cessão de bens, arroubamento de espírito. Este termo, que é herdado dos pensamentos de Hegel¹ e Feuerbach², é abordado por Karl Marx nas questões trabalhistas operárias.
O capitalismo, segundo Marx em Os Manuscritos Econômico-Filosóficos, de 1844, não é um conjunto de maquinarias, posses e aparelhamentos; trata-se do agrupamento de relações sociais constituídas na compra e na venda da força do trabalho. Nestas inclusões, o próprio trabalhador torna-se uma mercadoria.
Apontando a alienação do trabalho como principal fato econômico de sua época, como também mãe de todos os tipos de alienações, Karl Marx introduz a sua análise a partir dessa questão:

O trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior número de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. (MARX, 2001)

Desta maneira, o sistema capitalista produz a dita alienação no operário no momento em que ele próprio produz a mercadoria. Há, então, uma relação contraditória, entre o trabalhador e o produto de seu trabalho, entre o trabalhador e o modo em que é feita a produção; pois, ao fabricá-la, a mercadoria se torna um produto independente de seu fabricante, ganhando vida própria, enquanto o operário se torna apenas um objeto do mercado. “O trabalhador põe a sua vida no objeto; porém agora ele já não lhe pertence, mas sim ao objeto. Assim, quanto maior é o produto, mais ele fica diminuído” (MARX, p. 112).
Na medida em que se passam os dias de trabalho, cada vez mais o trabalhador afasta-se de si mesmo e dos outros semelhantes, numa alienação de sua própria vida e ao ambiente em que vive, ao se tornar instrumento para a riqueza de outrem. “A propriedade privada tornou-nos estúpidos e parciais, alienando todos os nossos sentidos, na busca do ter” (MARX, 2001).
Era perceptível a defasagem entre as vantagens que os operários deveriam ter diante de sua produção, e as que (não) tinham na realidade. Deste modo, Karl Marx explicita em sua obra a condução de um modelo econômico que começava a ser questionado em função de suas contradições, como a má distribuição de riquezas, estratificação social e, principalmente, o processo de alienação dos trabalhadores.












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¹   Georg Wilhelm Friedrich Hegel, filósofo alemão da totalidade, do saber absoluto, do fim da história, da dedução de toda a realidade a partir do conceito.
²   Ludwig Andreas Feuerbach, filósofo alemão reconhecido pela teologia humanista e pela influência que o seu pensamento exerce sobre Karl Marx.



REFERÊNCIAS

DA SILVA, João Carlos. Educação e alienação em Marx: Contribuições teórico-metodológicas para pensar a história da educação. Campinas: Unioeste, 2005.

DUCLÓS, Miguel. A maturação do pensamento de Marx. Artigo para o curso de Filosofia, USP.

MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos.Tradução de Alex Marins. São Paulo: Martin Claret, 2001.(A obra prima de cada autor).

PINTO, Carlos Ignácio. O trabalho em Marx. Artigo para o curso de História, USP.

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