sábado, 30 de abril de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Renovo-ação



Os novos ares inspiram; respiram mudanças, aspiram modificações. Os velhos móveis se destacam em meio ao novo ambiente, sugerindo a novidade da vida. Ilumina e bem, penetrando nesta nova casa o candente sol do Alto Sertão; iluminam-se os meus pensamentos nessa readaptação, quiçá reafirmação dos meus reais propósitos. Que lugar é este meu, que ainda não me pertence – ou me pertence, mas não é o meu lugar?
A resposta cabe ao meu Deus, que hoje agradeço por Sua proteção e providência; por ter separado o caminho enquanto eu ainda escolhia os passos.




Eis que tudo se fez novo.

sábado, 9 de abril de 2011

Le paradis

“Um pequeno canto de um guarda-chuva
Contra a um canto do paraíso
Ela tinha alguma coisa de um anjo
Um pequeno canto do paraíso
Contra a um canto de guarda-chuva
Eu não notei a diferença, perdi.”



trecho da tradução de
Le parapluie, Yann Tiersen e Carla Bruni

quarta-feira, 6 de abril de 2011

domingo, 3 de abril de 2011

A fábrica do poema

Adriana Calcanhoto


Sonho o poema de arquitetura ideal
cuja própria nata de cimento
encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair
faíscas das britas e leite das pedras.
acordo!
e o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
acordo!
o prédio, pedra e cal, esvoaça
como um leve papel solto à mercê do vendo e evola-se,
cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
acordo, e o peoma-miragem se desfaz
desconstruído como se nunca houvera sido.
acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
e os ouvidos moucos,
assim é que saio dos sucessivos sonos:
vão-se os anéis de fumo de ópio
e ficam-me os dedos estarrecidos.
metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
sumidos no sorvedouro.
não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
no topo fantasma da torre de vigia
nem a simulação de se afundar no sono.
nem dormir deveras.
pois a questão-chave é:
sob que máscara retornará o recalcado?