quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

De onde eu vim

É madrugada no Alto Sertão paraibano; o silêncio substitui o ronco do meu pai e amanhã não tomarei o café de minha mãe. Consome-me a desorientação do “E agora?” após a euforia do “Passei!”.
Ao lado, uma varanda com uma vista não tão bonita, e sem correntes de vento. É de lá que o silêncio vem, ou é por lá que ele não sai... Mas a porta de vidro continua aberta.
Cá estou, onde sempre estive em mente, no maior dos objetivos. O sentimento de dever cumprido ainda me retém, mas perde espaço para o arrependimento de não ter dito “eu te amo” mais vezes – e a certeza de que dizer mais vezes não adiantaria.
Rompe-se em todo o tempo esse cordão umbilical incicatrizante; não há analgésicos que amenizem o anseio de ouvir “meu filho”. Não há sono ou cansaço que derrube uns noventa quilos de pensamento e saudade. As lágrimas escorrem, mas sem caretas: Apenas a dor. Penetrante, sutil e permanente dor.
Preciso descer apenas sessenta degraus para encontrar o meu sonho e realizá-lo todos os dias nessa Faculdade de Direito. Mas, sinceramente... Agora, prefiro correr por novecentos quilômetros e deitar entre vocês numa cama de madeira antiga. Onde é o meu lugar.

5 comentários:

  1. Cortante mesmo, Linne.
    É isso que sinto quase todos os dias.
    É essa saudade que me mata aos poucos.
    Sinto falta de minha mãe, meu filho, meu pai...
    Minha família, meus AMIGOS!Ainn que falta sinto.
    Mui belas as tuas palavras Tom.

    Beijos.

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  2. Perfeito esse seu texto!
    Gostei da simplicidade das palavras
    e da ritmica, que está ótima.

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  3. Simplesmente você descreveu o sentimento acho que de muitas pessoas que estudam fora de suas cidades. Essa frase " ]As lágrimas escorrem, mas sem caretas: Apenas a dor. Penetrante, sutil e permanente dor" descreve perfeitamente uma situação (que já passei diversas vezes diga-se de passagem) onde até mesmo um travesseiro serve para estancar as lágrimas e a dor não soar em sons e gemidos de saudade. Mas... como tudo é da vontade de Deus estamos nós aqui, fazendo ELES orgulharem=se de nós! Parabéns TOM

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