segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Adapt ação

É uma característica humana nobre, mas não é espontânea. Na verdade, é obrigação - ou isto ou as duras conseqüências. A mudança vem de terno e gravata, aperta o teu braço e diz, gentilmente:
- “É por AQUI, senhor”, acompanhado por um sorriso solícito e um olhar impaciente.
As únicas opções que se tem são gostar do caminho ou amargurar-se dele.
É curioso como a pronúncia deste termo soa como ‘abrupto’ ou ‘rapto’ e, incrivelmente, a aparência penetra no campo de valor semântico comum entre estes três.
O rapto da constância e da comodidade, abruptamente, requer... Adaptação. E, quando adaptar-se, a nova realidade não será mais tão abrupta, até vir a próxima grande mudança.
Ora, é um ciclo. Logo, nunca haverá uma plena adaptação, mas sim a freqüente e necessária adaptação – entendendo que tão logo acabe uma, inicia-se outra.
Cansativo? Penso que não. Apenas encorajador. 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

De onde eu vim

É madrugada no Alto Sertão paraibano; o silêncio substitui o ronco do meu pai e amanhã não tomarei o café de minha mãe. Consome-me a desorientação do “E agora?” após a euforia do “Passei!”.
Ao lado, uma varanda com uma vista não tão bonita, e sem correntes de vento. É de lá que o silêncio vem, ou é por lá que ele não sai... Mas a porta de vidro continua aberta.
Cá estou, onde sempre estive em mente, no maior dos objetivos. O sentimento de dever cumprido ainda me retém, mas perde espaço para o arrependimento de não ter dito “eu te amo” mais vezes – e a certeza de que dizer mais vezes não adiantaria.
Rompe-se em todo o tempo esse cordão umbilical incicatrizante; não há analgésicos que amenizem o anseio de ouvir “meu filho”. Não há sono ou cansaço que derrube uns noventa quilos de pensamento e saudade. As lágrimas escorrem, mas sem caretas: Apenas a dor. Penetrante, sutil e permanente dor.
Preciso descer apenas sessenta degraus para encontrar o meu sonho e realizá-lo todos os dias nessa Faculdade de Direito. Mas, sinceramente... Agora, prefiro correr por novecentos quilômetros e deitar entre vocês numa cama de madeira antiga. Onde é o meu lugar.