sábado, 30 de outubro de 2010

Leão do Norte

Uma homenagem às minhas origens. =)


"Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá
Sou o boneco do Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto de Maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira
Pra Nova Jerusalém
Sou Luis Gonzaga
E eu sou mangue também

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte

Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda de Pife no meio do Canavial
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o Carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia-noite puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte!"

(Lenine)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sparta ireceense


Eu ainda ouço os brados daquele exército. Ecoam em mim em uníssono, até fazer com que eu mesmo exprima a sua voz. Guerreiros por excelência, o seu brasão não é menos importante que suas armas; as suas almas anseiam pelo triunfo absoluto, e nada menos. E vencem; batalha por batalha, pacientemente. Experimentaram a derrota, mas não a desonra – o sangue escorrido na pele se transformou em uma protetora cicatriz. O peito arfante não conhece o cansaço, os olhos não conhecem o chão. As cores vibrantes de suas armaduras refletem a voracidade de sua fome: se alimentam da sujeição de seus adversários. Gigantes, o seu pequeno número não representa a sua raça, a sua força. Basta que seus olhos incandescentes se encontrem – os mesmos opacos que afrontam os inimigos –, e então a celebração da conquista os envolvem por completo. O exército brada:
“EDI raça,
EDI força,
EDI...
Vencer, vencer, vencer!”

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Copa do Mundo 2014: Um gol contra do Brasil?


Já está confirmado: em 2014 o Brasil sediará a Copa do Mundo da FIFA. No entanto, a sociedade ainda discute, e, com efeito, a validade dos benefícios que um evento – muito mais que meramente esportivo – de tal porte traria ao país.
   São muitos os argumentos de quem é crítico da Copa. Entre os quais, o exacerbado investimento governamental em estádios e obras estruturantes destinadas ao devido suporte, enquanto as periferias das cidades-sede necessitam de fatores triviais, tais como tratamento de esgoto, casas populares, ruas calçadas e educação pública de melhor qualidade. Para eles, a Copa seria uma maquiagem da realidade brasileira, afora o temor de que as construções se tornem um reduto de desvio de dinheiro.
   Entre os que são pró, há a defesa de que o esporte, em sua conjuntura, trará desenvolvimento direto e indireto ao país, em uma significativa melhora na qualidade de vida das pessoas a médio e longo prazo, a saber: aumento da segurança pública, melhoramento dos meios de transporte, geração de empregos em diversas áreas etc. O turismo seria fortalecido, consagrando o Brasil como um dos principais destinos de férias do mundo, num investimento que não pertence somente aos cofres governamentais.
   É natural que o sentimento nacionalista tome cada cidadão, num estado de grande euforia. Entretanto, é imprescindível que os brasileiros reflitam não como torcedores, mas como indivíduos conscientes do potencial e da limitação de seu país, analisando os benefícios e malefícios do evento e cobrando das autoridades que a Copa de 2014 faça do Brasil um exemplo dentro e fora de campo.