quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O porquê deste Blog ser preto-e-branco




Tempos atrás, o controle procurava algo interessante pra se ver na televisão. Meio distraído com as batatas fritas, encontrei a MTV; além do Marcelo Adnet e o Quinta Categoria – por sinal, excelentes –, não conhecia muito. Fui apresentado ao LAB, um programa de clipes nacionais e internacionais. Pensei: Que lixo! Ainda bem que essas coisas não demoram a desaparecer. Não o LAB, muito menos a MTV, mas aquele grupo de meninos que miavam alegremente ao som do que pensam que é Rock n’ Roll.

Como toda praga, reproduziram-se rapidamente. Propagaram a receita do ridículo: Calças e camisetas muito menores que o número do corpo, desde que sejam infinitamente grudadas e coloridas. Como se não bastasse, o cabelo deve estar lambido e, no mínimo, cobrindo um dos olhos. Estes, impossíveis de se localizar, imersos nos devidamente cintilantes óculos. Não, eu não estou falando dos Teletubbies, apesar deste ser um grande concorrente em qualidade vocal. São os Coloridos, generalizados assim por um bondoso eufemismo – qualquer semelhança com o apelido dado aos homossexuais do Big Brother Brasil por Pedro Bial é mera coincidência.

“Quanta intolerância”, “é só uma modinha”, “coisa de pré-adolescente”, alguns podem até pensar. Veja bem, quem não se lembra das Chiquititas? Sandy & Junior? Até mesmo do recente RBD? Em todas essas “modinhas de pré-adolescente”, há algo em comum: A permanência do bom-senso. Havia um aprendizado, mesmo que fosse da língua espanhola, somente; Chiquititas chegava a ser educativo e os irmãos eram, de fato, cantores.

Enquanto imperava o Nx Zero – atual banda pseudo-tradicional da geração –, estava suportável. Entretanto, como numa evolução pokemonesca, surgiram Fresno, Restart, Cine (inimiga mortal da anterior), Hori (do filho que não puxou o pai), Tókio Hotel, dentre outras comicidades.

A pouca idade não é justificativa para a falta de profundidade nas letras e de personalidade na banda: Chico Buarque tinha apenas vinte anos quando os militares anunciaram o Golpe Militar de 64. Já em 1969, exilou-se na Itália por determinação do Regime, sendo um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização do Brasil. Uma de suas principais músicas no combate à repressão, Cálice, tem um título bem propício a essa prole de emos invertidos da atualidade, além de praticamente humilhá-los numa dolorosa aula de como se compõe um poema digno de se cantar.

Pra não dizer que não falei das flores, Geraldo Vandré, claro, afora Caetano Veloso, Gilberto Gil e mais alguns jovens gênios. E os Coloridos, o que reivindicam? Que a gola “V” da camisa seja cavada até o umbigo? Reivindiquemos nós a paciência necessária para suportar esse cúmulo que está invadindo o espaço público, esse distúrbio sonoro-visual. Antes a corrupção, para que o colorido existente seja das tintas de uma juventude conhecida por suas Caras Pintadas; que pensam no impeachment dos podres poderes que comandam a sua nação. Enquanto isso não acontece, permanece, aqui, o luto.

4 comentários:

  1. Poxa Tom não conhecia esse seu talento para escrever, seus textos estão maravilhosos. E quanto à conduta desses adolescentes atuais, bom saber que não sou a única a perceber esse exagero, esse APELO por atenção.

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  2. Caramba, muuuuito bom texto!!
    Sem falar na sua bagagem cultural nítida nos textos
    Parabénsss!!
    Beijo grande

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  3. ah isso se chama choque de idade. percebemso em Restart que não somos mais jovens, somos ultrapassados.

    de minha parte, nem quando adolescente eu gostava do que os outros gostavam (no meu tempo a modinha era Hanson, Space Grils,etc). porem reconcheço que é modismo de adolescente indefinido.

    agora o que assusta é como essas modas de hoje fazem com que os adolescentes de hoje em dia serem afeminados. não é rpeconceito, mais da a impressão de que essa é um geração de seres sexualmente indefinidos

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