domingo, 22 de agosto de 2010

Muros visíveis e invisíveis*


Seja na construção física, seja na análise sociológica em que o termo é metaforicamente empregado, o muro tem a técnica função de separar, dividindo ambientes de ambientes, pessoas de ambientes e pessoas de pessoas.
   Uma parede que, inicialmente, foi erguida com a intenção de proteger os que se encontram no interior daquele espaço delimitado por ela, acaba revelando o processo excludente que a sua porção exterior proporciona àqueles que são marginalizados. É o caso do vidro da janela do carro, possivelmente fumê – como se a escuridão camuflasse a verdade social – e elétrico, que sobe avilmente ao aproximar-se um atingido pelas mazelas da desigualdade que a sociedade capitalista promove, também conhecido como “menino de rua”.
   O Muro de Berlim talvez seja o melhor exemplo da segregação visível e invisível já executada pelo homem, em que tijolos funcionavam antagonicamente como destruição. Eram separados países, famílias e sistemas econômicos, representando assim uma guerra que a frieza não era só no nome.
   É preciso uma situação mais estável e igualitária, para que se alcance melhores índices de qualidade de vida das massas, em detrimento das divisões, num contexto em que a ação se faça presente, para não se tornar mais um discurso demagógico. Para tanto, os muros a serem construídos devem se localizar em casas populares e instituições educacionais, onde as classes separadas sejam as escolares, e não as sociais.


* Tema da redação proposto pelo vestibular da UFBA.

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