sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Grande Campina

Não é à toa que Campina Grande está em primeiro lugar entre as cidades brasileiras que mais têm PhD’s per capita; é, também, a cidade que conta com o maior número de Universidades em função da população. São cerca de 400 mil habitantes servidos de 16 Institutos de Educação Superior, dos quais, três públicos - UFCG, UEPB e IFPB.
Sua história remonta a povoação por índios Ariús, que descobriram na Serra da Borborema um clima agradável – ao contrário do que o senso-comum diz sobre o interior da Paraíba. Posteriormente, foi consolidada como vila por capitães-mores, diante da sua importância na rota comercial de tropeiros.
A segunda maior cidade paraibana já foi a primeira. Maior produtora de algodão do país no Séc. XX, viu sua demografia crescer 650% em 32 anos, sendo superada pela capital, João Pessoa, apenas na década de 50. O “Ouro Branco” entrou em decadência, mas assistiu a ascensão da economia industrial e comercial em Campina Grande, importante entroncamento rodoviário da região Nordeste.
Recentemente, Campina recebeu o título de “Tech City” por suas conquistas na área informática e tecnológica. Apontada pela revista americana Newsweek, na edição de Abril 2001, como “Vale do silício brasileiro”, foi descrita como grande emergente no mercado de desenvolvimento de softwares, ao lado de cidades como Oakland (Califórnia), Suzhou (China) e Côte d’Azur (França). A Universidade Federal de Campina Grande, antigo campus II da UFPB, é, em parte, responsável por este sucesso. Os cursos de Ciências da Computação e Engenharia Elétrica - ambos avaliados pelo MEC como Conceito 5, “nível excelente” - adquiriram, em 1967, o primeiro computador do Nordeste, um Mainframe IBM que custou 500 mil dólares.
Açude Velho, cartão-postal de Campina Grande/PB
A atividade industrial campinense também se destaca na área alimentícia e vestuária, sediando a produção nacional das Havaianas, pertencente ao grupo Alpargatas.
Expoente da autêntica cultura nordestina, Campina Grande mantém um rico patrimônio cultural. Tida como “Capital do Forró”, promove, no Parque do Povo, durante 30 dias o considerado “Maior São João do Mundo”, que reúne exposições de artesanato, vaquejadas, quadrilhas e muita, mas muita música. Sem esquecer de importantes eventos, tais como Encontro Cristão da Nova Consciência, Micarande, Festival de Inverno e Festival de Cinema de Campina Grande.
Dentre estes e outros fatores, Campina Grande se consolida como cidade-pólo no interior nordestino, seja na área educacional seja na comercial, integrando pujança econômica aos costumes e tradições sertanejas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Com quantos Brasís se faz um país?

As multifaces de um Brasil que já nasceu plural

Unidade certamente não é o melhor termo para definir a cultura brasileira. Depois de séculos de miscigenação e sincretismo, a diversidade é o que compõe este mosaico chamado Brasil. Do idioma lusitano às iguarias africanas, passando pelos costumes tupiniquins, a identidade nacional compreende uma pluralidade cultural de forma peculiar.
   Diante da continentalidade do Brasil, cada região política ou mesmo cada estado, possui aspectos singulares na sua composição étnica e no seu modo de vida. É inegável a presença européia no Sul, por exemplo, devido à forte imigração a partir do século XIX, predominantemente italiana e alemã, tão clara na arquitetura das cidades históricas sulistas. Como também no Nordeste, principal pólo econômico do país no período colonial, que traz consigo fortes heranças da cultura africana, seja na música, nos pratos típicos ou na religião.
- “A sociedade brasileira reflete, por sua própria formação histórica, o pluralismo. Somos nacionalmente, hoje, uma síntese intercultural. Nossa singularidade consiste em aceitar – um pouco mais do que outros - a diversidade e transformá-la em algo mais universal.” – afirma o Embaixador do Brasil junto à UNESCO, Antonio A. Dayrell de Lima.
   São 190 milhões de pardos, mamelucos, cafuzos e mulatos, frutos de uma intensa fusão das diversas nações que aqui se encontram. O Brasil é o país com maior número de católicos do mundo (125 milhões de fiéis), e com a maior taxa de crescimento protestante (superando em 4 vezes o da população); tem a mais abrangente biodiversidade do planeta, mas a sua economia de commodities está voltada para a comercialização de café, soja e frango, produtos de origem estrangeira.
   Uma das conseqüências dessa integração de costumes é a promoção de um laboratório para pesquisas no que tange à indústria do turismo, levando o Brasil a ser o primeiro destino das férias dos europeus e estadunidenses na América do Sul. Prova disso é a mais nova campanha da Embratur “Brasil Sensacional”, por meio do Ministério do Turismo, em parceria com as revistas mais lidas de Portugal, que explora a diversidade brasileira.
- “Além de informativo, o guia foi desenvolvido exclusivamente para o turista português, o que desperta, no público final, as inúmeras possibilidades que o Brasil tem para oferecer”, explica a executiva do Escritório Brasileiro de Turismo em Portugal, Neila Araújo.
   De fato, o melhor termo para se definir a diversidade brasileira é o sábio neologismo ''brasilidade'' que, nascido em meio aos acordes do samba, da bossa nova e das cantigas de roda, veio resumidamente dedilhado nos versos de Chico Buarque em Para Todos:
“O meu pai era paulista/Meu avô, pernambucano/O meu bisavô, mineiro/Meu tataravô, baiano/Meu maestro soberano/Foi Antonio Brasileiro.”

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"Seja qual for o seu sonho... Conquiste-o."


Todos riram, ao menos uma vez, quando alguém disse que a nossa sala era unida; mas agora, não tem tanta graça. E não é só o momento de despedida que nos faz esquecer os tantos conflitos: é, também, a reflexão de que passamos mais um ano, o último, ao lado de pessoas maravilhosas. Percebemos que os nossos defeitos e divergências que levaram às brigas só nos fazem mais humanos e próximos um do outro.
   Poderíamos ser apenas mais um terceiro ano que se forma. Mais uma turma de amigos que se separa, mais lágrimas, abraços e sorrisos que acontecem todo final de ano. Obviamente, não somos. Foram momentos especiais demais para generalizar – momentos que, provavelmente, aconteceram com outras pessoas em outras classes, mas que não deixam de ser únicos. Ao passo que aumentava a tensão pré-vestibular, crescia a cumplicidade. Aproveitamos as situações mais rotineiras para transformar a convivência em laços de amizade que, hoje, se distanciam fisicamente.
   Uma piada de Ives no meio da aula; a risada de Carol. Uma pesca engenhosamente arquitetada; a recriminação do fiscal. Uma solicitação conjunta e indignada a Ivanete; uma lição de moral de Elemar. Um “Parabéns pra você” interrompendo a aula; um “Com quem será” com Ícaro. Mais um cansativo simulado “Refazendo”; mais uma caixa de chocolate para Lílian. Uma aula de História com Nelma; Luan e André para um lado, Thaís e Nara para o outro. Passados JERP e Copa Escolar, Leonardo ainda se pergunta: Afinal, “cadê o futsal”?
   Ao sairmos pela última vez dos portões da EDI Master – onde, pacientemente, Zé durante todo o ano pediu, em vão, pra que não usássemos sandálias –, levaremos conosco parte do Colégio. Ficará marcada em nós a dedicação com que cada professor e funcionário tiveram pra que nós nos tornássemos melhores. A eles, não um “adeus”, mas um “obrigado”.
   A jornada chega ao fim, e cada um de nós tomará o seu caminho. Entre tantas siglas de Universidades, nos espalharemos para outras cidades e até estados, depois de meses compartilhando essas quatro paredes. Não partiremos apenas da casa dos nossos pais; deixaremos, aqui, a segunda família que escolhemos e construímos, a que nos ensinou que em meio a um futuro incerto e repleto de inseguranças, há uma certeza: Seja qual for o nosso sonho... Conquistaremos.

sábado, 30 de outubro de 2010

Leão do Norte

Uma homenagem às minhas origens. =)


"Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá
Sou o boneco do Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto de Maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira
Pra Nova Jerusalém
Sou Luis Gonzaga
E eu sou mangue também

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte

Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda de Pife no meio do Canavial
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o Carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia-noite puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte!"

(Lenine)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sparta ireceense


Eu ainda ouço os brados daquele exército. Ecoam em mim em uníssono, até fazer com que eu mesmo exprima a sua voz. Guerreiros por excelência, o seu brasão não é menos importante que suas armas; as suas almas anseiam pelo triunfo absoluto, e nada menos. E vencem; batalha por batalha, pacientemente. Experimentaram a derrota, mas não a desonra – o sangue escorrido na pele se transformou em uma protetora cicatriz. O peito arfante não conhece o cansaço, os olhos não conhecem o chão. As cores vibrantes de suas armaduras refletem a voracidade de sua fome: se alimentam da sujeição de seus adversários. Gigantes, o seu pequeno número não representa a sua raça, a sua força. Basta que seus olhos incandescentes se encontrem – os mesmos opacos que afrontam os inimigos –, e então a celebração da conquista os envolvem por completo. O exército brada:
“EDI raça,
EDI força,
EDI...
Vencer, vencer, vencer!”

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Copa do Mundo 2014: Um gol contra do Brasil?


Já está confirmado: em 2014 o Brasil sediará a Copa do Mundo da FIFA. No entanto, a sociedade ainda discute, e, com efeito, a validade dos benefícios que um evento – muito mais que meramente esportivo – de tal porte traria ao país.
   São muitos os argumentos de quem é crítico da Copa. Entre os quais, o exacerbado investimento governamental em estádios e obras estruturantes destinadas ao devido suporte, enquanto as periferias das cidades-sede necessitam de fatores triviais, tais como tratamento de esgoto, casas populares, ruas calçadas e educação pública de melhor qualidade. Para eles, a Copa seria uma maquiagem da realidade brasileira, afora o temor de que as construções se tornem um reduto de desvio de dinheiro.
   Entre os que são pró, há a defesa de que o esporte, em sua conjuntura, trará desenvolvimento direto e indireto ao país, em uma significativa melhora na qualidade de vida das pessoas a médio e longo prazo, a saber: aumento da segurança pública, melhoramento dos meios de transporte, geração de empregos em diversas áreas etc. O turismo seria fortalecido, consagrando o Brasil como um dos principais destinos de férias do mundo, num investimento que não pertence somente aos cofres governamentais.
   É natural que o sentimento nacionalista tome cada cidadão, num estado de grande euforia. Entretanto, é imprescindível que os brasileiros reflitam não como torcedores, mas como indivíduos conscientes do potencial e da limitação de seu país, analisando os benefícios e malefícios do evento e cobrando das autoridades que a Copa de 2014 faça do Brasil um exemplo dentro e fora de campo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Algum dia - Capital Inicial




"[...]E, nesse dia,
Se o mundo acabar,
Não vou ligar
Pra aquilo que eu não fiz.
Faz muito pouco tempo,
Aprendi a aceitar,
Quem é dono da verdade
Não é dono de ninguém
Só não se esqueça que atrás
Do veneno das palavras
Sobra só o desespero
De ver tudo mudar."

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sufixos

Engraçado como a palavra "cansaço" termina em "aço".
Mas "loucura" é a melhor de todas.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ser passarinho



Tenho a ansiedade; ele, liberdade.
Tenho a vontade de sê-lo, pela sua praticidade,
Pelo seu conhecimento de toda a cidade,
Pela funcionalidade de suas asas, a sua enormidade.
Sua avidez, suavidez, sua simplicidade,
Sua presença nos versos e canções, a sua amabilidade.

A capacidade de enfrentar os desafios com veracidade,
A riqueza que faz dos seus valores, pureza, respeitabilidade.
Se alimenta da humildade, quando não reparte à amizade;
Sensibilidade ao perigo, protege a hereditariedade,
Sem hesitar, sequer um instante, a fidelidade à posteridade.

Conquistam-me a estabilidade do seu voo, o alcance de sua invergabilidade,
Dos seus atos, a fugacidade, efemeridade, dividindo espaço com a intensidade.
Voluptuosidade de morar nas alturas, a mais límpida vivacidade.

Eu vou, ser passarinho,
Eu voo, ser passarinho,
Eu vou ser passarinho.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O porquê deste Blog ser preto-e-branco




Tempos atrás, o controle procurava algo interessante pra se ver na televisão. Meio distraído com as batatas fritas, encontrei a MTV; além do Marcelo Adnet e o Quinta Categoria – por sinal, excelentes –, não conhecia muito. Fui apresentado ao LAB, um programa de clipes nacionais e internacionais. Pensei: Que lixo! Ainda bem que essas coisas não demoram a desaparecer. Não o LAB, muito menos a MTV, mas aquele grupo de meninos que miavam alegremente ao som do que pensam que é Rock n’ Roll.

Como toda praga, reproduziram-se rapidamente. Propagaram a receita do ridículo: Calças e camisetas muito menores que o número do corpo, desde que sejam infinitamente grudadas e coloridas. Como se não bastasse, o cabelo deve estar lambido e, no mínimo, cobrindo um dos olhos. Estes, impossíveis de se localizar, imersos nos devidamente cintilantes óculos. Não, eu não estou falando dos Teletubbies, apesar deste ser um grande concorrente em qualidade vocal. São os Coloridos, generalizados assim por um bondoso eufemismo – qualquer semelhança com o apelido dado aos homossexuais do Big Brother Brasil por Pedro Bial é mera coincidência.

“Quanta intolerância”, “é só uma modinha”, “coisa de pré-adolescente”, alguns podem até pensar. Veja bem, quem não se lembra das Chiquititas? Sandy & Junior? Até mesmo do recente RBD? Em todas essas “modinhas de pré-adolescente”, há algo em comum: A permanência do bom-senso. Havia um aprendizado, mesmo que fosse da língua espanhola, somente; Chiquititas chegava a ser educativo e os irmãos eram, de fato, cantores.

Enquanto imperava o Nx Zero – atual banda pseudo-tradicional da geração –, estava suportável. Entretanto, como numa evolução pokemonesca, surgiram Fresno, Restart, Cine (inimiga mortal da anterior), Hori (do filho que não puxou o pai), Tókio Hotel, dentre outras comicidades.

A pouca idade não é justificativa para a falta de profundidade nas letras e de personalidade na banda: Chico Buarque tinha apenas vinte anos quando os militares anunciaram o Golpe Militar de 64. Já em 1969, exilou-se na Itália por determinação do Regime, sendo um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização do Brasil. Uma de suas principais músicas no combate à repressão, Cálice, tem um título bem propício a essa prole de emos invertidos da atualidade, além de praticamente humilhá-los numa dolorosa aula de como se compõe um poema digno de se cantar.

Pra não dizer que não falei das flores, Geraldo Vandré, claro, afora Caetano Veloso, Gilberto Gil e mais alguns jovens gênios. E os Coloridos, o que reivindicam? Que a gola “V” da camisa seja cavada até o umbigo? Reivindiquemos nós a paciência necessária para suportar esse cúmulo que está invadindo o espaço público, esse distúrbio sonoro-visual. Antes a corrupção, para que o colorido existente seja das tintas de uma juventude conhecida por suas Caras Pintadas; que pensam no impeachment dos podres poderes que comandam a sua nação. Enquanto isso não acontece, permanece, aqui, o luto.

domingo, 22 de agosto de 2010

Muros visíveis e invisíveis*


Seja na construção física, seja na análise sociológica em que o termo é metaforicamente empregado, o muro tem a técnica função de separar, dividindo ambientes de ambientes, pessoas de ambientes e pessoas de pessoas.
   Uma parede que, inicialmente, foi erguida com a intenção de proteger os que se encontram no interior daquele espaço delimitado por ela, acaba revelando o processo excludente que a sua porção exterior proporciona àqueles que são marginalizados. É o caso do vidro da janela do carro, possivelmente fumê – como se a escuridão camuflasse a verdade social – e elétrico, que sobe avilmente ao aproximar-se um atingido pelas mazelas da desigualdade que a sociedade capitalista promove, também conhecido como “menino de rua”.
   O Muro de Berlim talvez seja o melhor exemplo da segregação visível e invisível já executada pelo homem, em que tijolos funcionavam antagonicamente como destruição. Eram separados países, famílias e sistemas econômicos, representando assim uma guerra que a frieza não era só no nome.
   É preciso uma situação mais estável e igualitária, para que se alcance melhores índices de qualidade de vida das massas, em detrimento das divisões, num contexto em que a ação se faça presente, para não se tornar mais um discurso demagógico. Para tanto, os muros a serem construídos devem se localizar em casas populares e instituições educacionais, onde as classes separadas sejam as escolares, e não as sociais.


* Tema da redação proposto pelo vestibular da UFBA.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Abbey Road, Clube da Esquina e outras influências

 


Por Nelson Bomilcar


Quando falamos de influências recebidas, como evangélicos, quase sempre negamos o que recebemos "dos de fora", ou negamos nossa história "pré-conversão". Como se não fizesse parte da história de Deus em nossas vidas. Até por que isto não soa santo, espiritual, cristão, evangélico, puro, inspirado ou profético.

Muito desta postura e pensamento existe porque na base e no fundamento teológico de muitos, o mundo foi criado por Satanás e não por Deus, de que o diabo é criador e não criatura, que os homens são criaturas das mãos do diabo e não de Deus, distorcendo a revelação das Escrituras Sagradas. Demos indevidamente o copyright ao inimigo de nossas almas sobre a criação e sobre as artes, e não ao Senhor Deus, Criador, Senhor e Soberano sobre tudo e todos.

História é história, não há como negar ou fazer desaparecer influências que tivemos e ainda temos, e quando tentamos fazer isto, entramos em processos de sublimação, de alienação, de fuga da realidade, sinais de doença instalada e que sugerem a necessidade de processos terapêuticos e de aconselhamentos posteriores.

Alguns ainda sugerem uma tal e distorcida "cura interior" do passado, como se toda a herança e formação que tivemos fossem necessariamente ruins. A herança “adâmica” sim, em nossa natureza, que não nos ajuda no caminho da salvação e redenção. Mesmo assim, ela ainda nos acompanhará até o final dos tempos. Mas outras heranças, com outro foco, de formação cultural, por exemplo, podem ter sido excelentes e nos balizam ainda hoje no que somos, pensamos e fazemos na vida.

Isto não significa que estas pessoas, pensadores ou artistas, são exemplos em tudo de conduta, muitos com vidas e histórias cheias de crises e pecados (como os homens e mulheres da Bíblia). Mas tiveram ou têm alguma capacidade no que fizeram, ou um bom legado que deixaram, seja na área educacional, científica ou artística.

Eu, que não tive "berço evangélico" ou "maternidade evangélica" (afinal, ouvia quase sempre de irmãos: "[...]Eu nasci na Igreja..."), fui menos preconceituoso com o que recebi através de pessoas não cristãs. Em minha formação familiar e estudantil, por exemplo, tive ótimos referenciais e professores que me ajudaram a absorver valores, cultura e informação. Louvo a Deus hoje por eles, e sei que foi Ele mesmo que planejou e os colocou em minha vida. Aprendi inclusive com os erros, limitações, "pisadas na bola" e enganos deles.

Lembro-me do meu irmão Roberto me levando a um show com um público de umas 50 pessoas somente, no teatro da Fundação Getúlio Vargas para assistir um "tal" de Milton Nascimento, Lô e Marcio Borges, Wagner Tiso, Nelson Ângelo, Beto Guedes, Toninho Horta, cantando e tocando coisas maravilhosas deles e de Fernando Brant. De que planeta estes músicos maravilhosos vieram? Quanta beleza e criatividade! Eram do Clube da Esquina, hoje transformado em museu e espaço histórico.

Daí, veio a conversão dos 17 para os 18 anos em 1972. Entro na igreja evangélica e tenho um choque cultural e musical. Começo a tomar contato com músicas do Cantor Cristão, hinário batista, ouvir todos os dias minha mãe tocar ao final de tarde hinos que viriam a fazer parte de minha vida, acompanhar cantatas tocando e cantando, gravar discos evangélicos, fazer parte de um momento na história da igreja no Brasil de avivamento em trabalhos com juventude e da experiência de Vencedores por Cristo.

Por imaturidade e ignorância, anos antes vendi minha guitarra Gibson por achar que não poderia usar "um instrumento que usava na velha vida". Mas tinha uma outra que guardei (pecador eu, não?), uma Fender Jaguar Branca, igual a do Jimi Hendrix, onde toquei e solei no dia do meu batismo dentro de uma igreja batista tradicional o "Vencendo Vem Jesus", com o histórico pedal Big Muff. Quando descobri que instrumento é só "um instrumento", comprei novamente uma Gibson, testemunha até hoje de boa parte da história recente da música cristã.

Um grande amigo nesta época, Gerson Ortega, músico e hoje pastor, ajudou-me muito a lidar com a questão da música. Sentia-me "menos culpado" de ainda gostar de música chamada secular ou "do mundo" quando encontrava na casa dele algum disco de conjuntos e músicos não cristãos que admirávamos.

Inclusive por que pensava e continuo pensando que a criatividade e inspiração têm sido dada a pessoas e artistas não cristãos, que de alguma forma manifestam a criatividade de Deus. Isto é, um incrédulo pode ser mais ou tão criativo do que um crente confesso. É o que constato quando analiso as artes de maneira geral, e quando ouço a mesmice e a falta de criatividade das composições e produções chamadas evangélicas de nossos dias.

O Deus das Escrituras, O Grande Artista, está na simplicidade da vida, nos relacionamentos, no cotidiano, e manifesta sua presença e criatividade também nas artes e em artistas em toda a história. Precisamos é perceber e identificar Sua presença. "Repreender" menos o conteúdo de nossa história e APRENDER mais dela. E adorar a Ele, porque esteve sempre presente em nossa caminhada!



Nota do blog: Nelson Bomilcar é teólogo batista, membro da Associação de Músicos Cristãos do Brasil (AMC), produtor, cantor e compositor do grupo Vencedores Por Cristo, pioneiro da música evangélica brasilera (1968).





segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Batismo


   E mais um espaço virtual meu inaugurado. Aqui postarei – de início, ao menos - opiniões, memórias, imagens, vídeos, letras de músicas, poemas e afins, de minha autoria ou não. Não delimitarei um tema; as circunstâncias definirão o conteúdo e a freqüência das palavras.
   Entretanto, por que Entretanto?
   A diretora da Escola Presbiteriana de Canal (EPC), onde estudei até a Oitava Série, Anadir Carneiro (milagre só presta quando se conhece o santo), certa feita me disse algo, quando fui chamado à Direção. O motivo, não importa; você sabe, a última coisa que se faz no Fundamental é estudar. Pois bem, a temida apontou para meu rosto, proferindo, entre arregalos e salivas:
   - Você é questionador demais, Ewerton!
   Bons tempos. A afirmação foi conseqüência não do meu ato irregular, mas das minhas justificativas pautadas em erros terceiros (leia-se: professores). Eu, menino que era, entendia aquilo como repreensão apenas pelo tom de voz. Hoje sou grato a Prof.ª Didi por estimular uma aptidão tão essencial para o desenvolvimento de outras. De acordo com um comercial da TV Cultura, recentemente veiculado, “não são as respostas que movem o mundo. São as perguntas.” São elas que proporcionam o conhecimento. São elas, as interrogações e as conjunções adversativas.
   Parte da intenção de criar Entretanto se deve a Evelinne, graduanda em Jornalismo/UEPB, blogueira e minha irmã mais velha. Seus elogios quanto às minhas produções textuais – quase sempre com a modesta “é de família” - reforçaram o que tenho pensado há um tempo.
   Além do agradável, o útil: Seguindo o exemplo da Prof.ª de Redação Laura Loura, o blog servirá de arquivo para o treinamento da matéria. Outra pessoa que incentivou, talvez sem saber, foi uma amiga e colega de sala que se chama Amanda Barreto. Após ler alguns escritos meus, disse-me que eu deveria ser escritor de coluna em alguma revista. Sonhos à parte, funciona, a partir de hoje, o diário digital do questionador Ewerton Henrique Dourado.